Símbolo da paz e da glória, a oliveira é uma árvore primitiva, resiliente, cuja longevidade pode alcançar milénios. O seu cultivo na bacia mediterrânica – onde se produz quase todo o azeite do mundo – data do século VI a.C. Chegou à Península Ibérica pelas mãos dos fenícios e dos gregos, mas a produção de azeite só no Império Romano foi fortemente impulsionada, graças à descoberta do potencial de expansão dos olivais em solos áridos.
Desde tempos imemoriais que a azeitona acompanha um bom pão e que o azeite brilha em qualquer repasto, dando aroma e sabor aos alimentos. Em tempos idos, que muitos em Portugal ainda recordarão, era combustível para candeias de alumiar e a sua fama como bálsamo curativo e ingrediente de beleza atravessou séculos e gerações, e está cada vez mais na ribalta em inovadores tratamentos estéticos.
No Norte de Portugal, onde é normal avistar oliveiras nas bordaduras das vinhas, das amendoeiras e de outras culturas principais, a cultura do olival tem raízes em Trás-os-Montes e no Douro, onde o clima tipicamente mediterrânico favoreceu o seu desenvolvimento. Com um grande impulso na década de 50 do século passado, graças à criação das cooperativas de olivicultores, a produção de azeite na região Porto e Norte tem vindo a aumentar substancialmente nos últimos 70 anos, depois de ver reconhecidos, nos anos 90, os benefícios para a saúde cardiovascular e assumir, a partir daí, um lugar incontestável na dieta mediterrânica.
O azeite de Trás-os-Montes foi um dos primeiros no país a ser certificado “Denominação de Origem Protegida” (DOP), sendo, hoje, a segunda região olivícola, a seguir ao Alentejo. Ao contrário deste, o seu olival é maioritariamente tradicional conduzido em sequeiro e de baixa intensificação produtiva. O clima mediterrânico no Douro e em Trás-os-Montes, aliado aos rudes solos xistosos, propiciam as condições ideais para a produção de azeites dourados, aromáticos, de baixíssima acidez, com travo picante e sabor inconfundível.
Para além do belíssimo impacto que a cultura da oliveira tem na nossa paisagem, da longa presença no receituário tradicional nortenho, a trilogia oliveira, azeitona e azeite está cada vez mais associada ao boom do turismo cultural nos territórios do interior. A Entidade Regional Turismo do Porto e Norte de Portugal, tem nos últimos anos, em parceria com os agentes económicos do setor – públicos, privados e associações, designadamente as cooperativas – levado a cabo um trabalho de organização da oferta turística destes recursos endógenos em colaboração com a academia e o trade da região.
Com enorme potencial de atração de visitantes e dinamização económica dos subdestinos Douro e Trás-os-Montes, o olivoturismo no Porto e Norte de Portugal tem dado passos firmes e sustentáveis. Um número significativo de operadores turísticos organizou nas suas propriedades, museus ou cooperativas, programas exclusivamente dedicados à temática. Promovem visitas ao olival e o contacto com os olivicultores, onde os turistas conhecem a forma de cultivo das oliveiras, ficam a saber mais sobre a apanha da azeitona e a sua extração. Aprendem a conhecer as variedades regionais; a saber provar o azeite e a distinguir as suas características químicas e sensoriais.
O olivoturismo é um autêntico “mundo novo” que envolve rotas, experiências gastronómicas em restaurantes e hotéis, tratamentos de beleza em spas e um sem número de opções de lazer e bem-estar ligadas ao ouro líquido duriense-transmontano. O Turismo do Porto e Norte está francamente empenhado em dinamizar em toda a região eventos e iniciativas que catapultem este património incomensurável, desde logo associando-se a esta grande rede internacional, o OLIVE4ALL e honrosamente integrar a Comissão de Honra da Rede Nacional de Eventos Comemorativos do Dia Mundial da Oliveira 2025, que se celebra a 26 de novembro.
Luís Pedro Martins